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Mostrando postagens de 2012

Herrar é umano

Muitas vezes pensamos que trilhamos o caminho certo Ou ao menos um caminho  bom . Dá-se um passo, dois, depois mais um Tudo parece possível Heis que no meio do caminho tinha uma pedra Exu Tranca-Rua sai à frente E agora, José? Sei não... O jeito é ler poesia, Escrever para cuspir o fogo Correr pra se sentir em movimento. E quando der de parar, soltar o grito: Cruz credo, que foi isso maquinista? Volta-se à realidade, Vê-se que está no mesmo lugar donde partiu Ou noutro, pior, melhor, nunca se sabe Mas tem-se que continuar em movimento Tem que se olhar no espelho de novo Encarar a si e o que de si não se tem mais Olhar pro outro e enxergar Tudo o que de seu fê-lo assim. Ah, dor infinita do erro! (Karina Klinke, primarvera 2012)

A geração da utopia

... sorriu para o céu, para as pessoas que nela não reparavam, metidas para dentro. (Pepetela. A geração da utopia )

Labirinto

"Eu não sou quem você pensa que sou E você não é quem eu penso que é" Será que sabemos quem somos, afinal? Ou procuramos no outro Aquilo que jamais seremos? Ah! dúvida atroz... Enquanto questionamos Deixamos o tempo remoer as marcas do passado. (Karina Klinke, inverno de 2012)

Doute suce

(Pour mes amis, qui d'identifier) Apagar da memória, Fazer de conta que nada existe, Que são volúpias da imaginação. Afinal, Ilusões são passageiras, Sonhos não se concretizam, Move-se à força do hábito de ser feliz, E se buscam prazeres nunca satisfeitos... Tudo em vão. Apesar dos pesares, Continua-se enxergando as marcas, Ouvindo vozes, Sentindo suores, Trocando conversas, Pensando, sonhando, desejando,  Esperando o próximo telefonema, A outra mensagem, Novos encontros. Noites e noites de sonhos e pesadelos, Dias que não passam, Tudo só tem um sentido: O perto-longe, o longe ao lado, Horas que são marcadas por relógios alheios E seu relógio emocional quer o tempo todo. Invadem o corpo, os pensamentos,  Reproduzem-se os gestos. Desajeitado medo da repetição do nada, Das perdas, dos vazios, das desilusões. Incógnitas que nunca serão decifradas, Só a experiência explica E o coração acalenta. Merde....

E agora, Maria?

O que chamamos "amor"  Nesta sociedade hipócrita e mal resolvida? O desejo? A posse? A vaidade? O medo da solidão? Motivos há muitos para se dizer "amo", Difícil é decifrar sua origem  E a intencionalidade de seu destino... Seja como for, atesto, "amo": Luz, sombra, caminhos, destinos, Olhares, cheiros, corpos, sonhos, Passagens, bloqueios, frios, suores, Debates, inspirações e tudo O que significa "vida" Em abundância. (Karina Klinke, outono de 2012)

Samba Canção

Foto: Juliana Freitas Tantos poemas que perdi, Tantos que ouvi, de graça pelo telefone - taí, eu fiz tudo pra você gostar, fui mulher vulgar, meia-bruxa, meia-fera, risinho modernista arranhado na garganta, malandra, bicha, bem viada, vândala, talvez maquiavélica, e um dia emburrei-me, vali-me de mesuras (era uma estratégia), fiz comércio, avara, embora um pouco burra, porque inteligente me punha logo rubra, ou ao contrário, cara pálida que desconhece o próprio cor-de-rosa, e tantas fiz, talvez querendo a glória, a outra cena à luz de  spots , talvez apenas teu carinho,  mas tantas, tantas fiz...  (Ana Cristina Cesar, A teus pés, Companhia das Letras)

O dito pelo não dito

Queria dizer muitas coisas... Mas meu pudor não deixa, O medo me retrai, A coragem é pouca, As ilusões me impedem. Deixo-me ouvir E confundo os dizeres em meus desejos. Procuro me mostrar sem palavras, Assim nunca sei como entendem... Também não saberia se dissesse, Porque cada qual ouve como pensa, Sente o quanto permite, Vê o que quer. Sigo imaginando como seria se soubessem E prossigo em silêncio Que tudo sente, tudo sonha, Tudo permite e sufoca... (Karina Klinke, outono 2012)

Partida

Sua ida me deixa saudades Mas sei que é egoísmo meu Porque este é o seu caminho Sua trajetória Seu percurso Como o meu: vim graças a você, Cresci e tive muitas conquistas porque sempre pude contar contigo Sou quem sou porque tinha você ao meu lado, Agora sou egoísta e quero que você fique... Por outro lado, crio coragem e digo: Vai meu amor, segue teu caminho E leve contigo a certeza de que minha existência é conquista tua, Antes mesmo de ser minha. Deixe que a luz acompanhe tua viagem Sei que tu também não vais me esquecer Nem me abandonar Estaremos eternamente juntos Porque os laços de amor são indestrutíveis. Segue em paz e leva minha gratidão contigo. (Karina Klinke, 34 anos depois de sua partida)

NÓS

Andar pela cidade,  A chuva, o filme, o almoço, a reunião,  O trânsito, o livro, a mensagem, a música...  Lembranças que me levam até você. Onde estás, com quem, para onde vais, Dormiu bem, acordou cedo, viajou? Perguntas que te buscam. Sorrisos, calafrios, calor na face, algumas lágrimas... Sensações que nos aproximam. (Karina Klinke, outono 2012)

Atesto

Hora desejo que meus olhos Revelem-te o que sinto, Outrora fujo. Temo reações As tuas e as minhas sobre as tuas. Parece-me impossível Esconder-me De ti, de mim em ti. Escolho fingir um não olhar Mas o teu me atrai E dissimulo um falsete, Brinco com as ilusões... (Karina Klinke, verão 2012)

Lugar nenhum

Não fui educado para ser mulher. E o que há de mulher em mim, a sociedade repudia... Se “ela” não flui de mim, falo da outra, daquela que idealizo... Falo do desconhecido, do imaginado. Não delas, mas para elas. (Será que) falo? Nessa viagem transgênero, nesse esforço descomunal, olho as mulheres à minha volta: mãe, irmã, namorada, amante, professora, avó, tia, prima, vizinha, cunhada, esposa, colega, sogra, concunhada, amiga... São tantas e tão diferentes  que me confundo com o “ser mulher”. Tantas versões que é impossível juntá-las sob um só nome, mesmo que todas recebam as expectativas de um (e esse é um só) “vir a ser”; esse que advém de outras tantas mulheres e de tantos outros homens: pai, irmão, namorado, amante, sogro,  avô, tio, primo, vizinho, cunhado, esposo,concunhado, amigo..  Cada uma e cada um impondo-lhe o que imaginam ser mulher... E elas “vão sendo”... Conscientemente ou não, fazem-se mulheres. Ainda que nem sempre libertas da imposição do ...

Entre humanos e livros

I "Aquilo de que você se livra, desfaz, te quer. E aquilo que não te quer, você guarda? SER HUMANO !!!" (A.J.R.M.) II "Isto e Aquilo. livro disto, Me livro daquilo humano livro quer quer livro humano disto e daquilo livro humano, livro, livro me livro do isto e fico com aquilo livro todos..." (A.J.R.M. e K.K.)

Em nome do pudor da sociedade (hipócrita)

É preciso conter esses excessos fraternos. Parar de expressar ternura diante os problemas alheios, não ter remorso por fazer o outro esperar, deixar de se emocionar com o sorriso amigo, não beijar em público quem conta suas historias, disfarçar o brilho nos olhos ante as conquistas de outrem, dissimular a preferência pela companhia dos demais... Assim a sociedade não te discriminará. (Karina Klinke, verão 2012)

Chuvas de verão

Teci minha rede de sonhos e fiz um rascunho de tudo o que era belo.  Foi então que descobri lindeza onde ninguém a via e dor quando todos sorriam.  Um paradoxo tão simples que me fez chorar, como tudo que é singelo faz sentir.  Idas e vindas, prazeres insólitos, costumes rompidos...  Como diz Marcelo Camelo, "a estrada vai além do que se vê..." (Karina Klinke - verão, 2012

2012

Chegou manso, molhado. Jogou sua cabeleira gotejante sobre nós Como que dizendo: envolvo-te, possuo-te. E foi nos tomando, cabelos, rosto, braços, tronco, pernas, pés, Lenta e suavemente. Depois, noite estrelada e a lua a nos mirar... Quero-te assim, 2012! Cada dia um chegar diferente. (Karina Klinke, verão, 2012)