Não fui educado para ser mulher. E o que há de mulher em mim, a sociedade repudia... Se “ela” não flui de mim, falo da outra, daquela que idealizo... Falo do desconhecido, do imaginado. Não delas, mas para elas. (Será que) falo? Nessa viagem transgênero, nesse esforço descomunal, olho as mulheres à minha volta: mãe, irmã, namorada, amante, professora, avó, tia, prima, vizinha, cunhada, esposa, colega, sogra, concunhada, amiga... São tantas e tão diferentes que me confundo com o “ser mulher”. Tantas versões que é impossível juntá-las sob um só nome, mesmo que todas recebam as expectativas de um (e esse é um só) “vir a ser”; esse que advém de outras tantas mulheres e de tantos outros homens: pai, irmão, namorado, amante, sogro, avô, tio, primo, vizinho, cunhado, esposo,concunhado, amigo.. Cada uma e cada um impondo-lhe o que imaginam ser mulher... E elas “vão sendo”... Conscientemente ou não, fazem-se mulheres. Ainda que nem sempre libertas da imposição do ...
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