Não fui
educado para ser mulher. E o que há de mulher em mim, a sociedade repudia... Se
“ela” não flui de mim, falo da outra, daquela que idealizo... Falo do
desconhecido, do imaginado. Não delas, mas para elas.
(Será que) falo?
Nessa viagem
transgênero, nesse esforço descomunal, olho as mulheres à minha volta: mãe,
irmã, namorada, amante, professora, avó, tia, prima, vizinha, cunhada, esposa,
colega, sogra, concunhada, amiga... São tantas e tão diferentes que me confundo com o “ser mulher”.
Tantas versões que é impossível juntá-las sob um só nome,
mesmo que todas recebam as expectativas de um (e esse é um só) “vir a ser”;
esse que advém de outras tantas mulheres e de tantos outros homens: pai, irmão,
namorado, amante, sogro, avô, tio,
primo, vizinho, cunhado, esposo,concunhado, amigo.. Cada uma e cada um impondo-lhe o que imaginam
ser mulher...
E elas “vão
sendo”...Conscientemente ou não, fazem-se mulheres.
Ainda que nem sempre libertas da imposição do outro sobre si, elas dão! Não há dúvidas!
(...)
Dão o melhor de si!
(Karina Klinke e Mical Marcelino - Semana da Arte Moderna, 2012)

Por Cícero Santiago:
ResponderExcluir"Sabes, estive a pensar muito nisso a poucos dias, mas por outro lado, de outro lugar: será que não são tempos de desvendar, para além dos esteriótipos, o que é ser homem?
Quero dizer, nada contra o mistério das Capitus e das Evas, me interessam profundamente, ao que parece fazem milênios que nos esmeramos em decifrar estas esfinges (talvez, as vezes penso, seja parte do sistema de dominação esta pretenção em desvendar - desvendar para dominar, arrebantar ao meio, entender para subordinar melhor ... ).
Ando curioso é de entender os maridos, os tios, os meninos nus se tocando no banheiro depois do jogo de futebol, aqueles dois amigos que se encontram todos os dias na mesa de bar, aquele cidadão de 46 anos que virou um moleque de 18 quando a esposa dele foi embora ...
Estas esfinges merecem ser decifradas por olhares femininos, pois que os masculinos não conseguem."