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Mostrando postagens de 2026

mãe

Oi, mãe! Queria poder conversar com você agora, mas não está mais aqui.  Então, nos meus pensamentos, converso com você: O que faço nesta situação em que me encontro?  Essa é a dúvida, mas cadê você pra me dar aquele olhar compassivo, aquele sorriso maroto, e me perguntar: como lidar com isso?  Será que inventei essa pergunta sozinha ou você realmente me fez algum dia?  Acho que isso não importa agora, bom é que você me deixou esta herança: perguntar sempre, não ter medo da dúvida, ela é o impulso para o encontro comigo, no agora.  Agradeço sua presença em mim!  (Karina Klinke, dia das mães/2026)

admiração

Foto: luci luh Admiro sua coragem de enfrentar as emoções com licença poética! Entre trovejadas desalinhadas de sentimentos consegue escolher os termos mais certeiros de os expressar.  Personagens sarcásticas, divertidas, amorosas, cínicas, debilitadas, cansadas, fluem sem timidez por frases abertas, brincalhonas, rigorosas e provocantes.  Fico a imaginar o sem número de sensações que as inspiraram!  Quem andarilha por teus escritos passa sobre pedras pontudas, frescos richos e se deleita com o vento.  Escrever assim é Arte.  (Karina Klinke, verão 2024)

dia internacional da mulher

desavisadas algumas pessoas ainda parabenizam as mulheres pelo seu dia deludidas algumas mulheres agradecem romantizada ser mulher é  sinônimo de doação  doadora de sua liberdade  de ser rechaçadas condenadas sempre menos realizadas são as que se libertam das amarras  incólumes  nunca estarão  as mulheres. (karina klinke, março, 2026) Foto: luci luh

A ida

Foto: luci luh  Sem sombra de dúvidas, eu queria ir embora. Era um desejo muito bem escondido dentro de mim, tão bem escondido que às vezes eu me esquecia completamente dele. Parava assim, como quem não quer nada e isso bastava para que por dentro viesse uma maré de raiva. Era só ter arrumado tudo em uma trouxa e partir. Que criasse vergonha na cara, a ida já tinha sido várias  vezes premeditada. Primeiro eu arregalava os olhos, gritava por dentro, mordia as paredes de ódio e depois enterrava a fuga. Sangrava um sangue de quem não precisava passar por nada disso. Pegue as suas coisas e vá embora.  Eu não tenho a resposta, talvez eu curta um masoquismo. Só pensava, amanhã é certeza, amanhã eu vou embora. Acordava como se estivesse de ressaca, uma voz sempre ressoava: Peraí, mas você não disse que de hoje não passava? Quem? Eu? Você deve estar me confundindo. E começava tudo de novo. Eu quero ir embora, de hoje não passa. Cavava uma cova pela manhã, ...