Sob o olhar, um gesto, nada se diz. Brinca com as mãos irriquietas, analisa o estrago das unhas. Mexe nos cabelos, enrola-os sobre os ombros. Cabeça ainda baixa, não diz palavra. Passam-se os minutos, o tempo se arrasta. De fato elas são desnecessarias, o silêncio fala por si e os gestos comungam com ele. Quando são pronunciadas negam e confirmam o que já se sabia. Um observador atento enxergaria, mas todos fingem não ver. Antagonismos vãos. O que se passa? (alguém pergunta num rompante) Olhares se cruzam, finalmente. Abrem-se sorrisos, os olhos se voltam para o chão, palitos quebrados, pontas de cigarro, pés calçados, o quadrado embaixo da mesa. Começa uma falação, um contar sem fim de causos passados, volvem-se sorrisos, olhares, pensamentos divagam. Um toque suave pelas costas. Sai de cena. O relógio conta as horas, que agora voam, finda-se o tempo. O adeus é distante, quase frio, toques suaves demais para demonstrar qualquer emoção. Talvez seja proposital continuar fazendo de...
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