Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de dezembro, 2011

Meu olhar

"Meu olhar, largo olhar de eterna claridade!” escreveu Charles Baudelaire. O que vê esse olhar? Silenciosos e amendoados olhos, Tímidos e às vezes debochados sorrisos, Bochechas que coram, Longos braços de suaves e intensos movimentos, Mãos dedilhantes, Pernas torneadas, marcadas pelas peraltices de outros tempos, Pés largos. Meu olhar gosta de vislumbrar tua silhueta Cada movimento, em um abrir e fechar de pálpebras, como um suspiro! Gestos teus que poucas vezes decifro, mas insisto, Busco no pulsar dos movimentos um sinal de tua estima, Algo que me diga o quanto e como me vês, Tudo em vão. Meu olhar não é teu intérprete, É sonhador, iludido, apaixonado. Ah, tempo perdido... diriam os experientes, Mas eu não me importo. Divirto meus olhos nos teus, Sossego-os ao som de tua voz, Afogo-os em teus abraços, quando posso. (Karina Klinke, verão 2011)

Mesa de Bar [1]

Dois amigos e uma mesa de bar: - Sei lá... Muitas vezes me sinto limitado... - Por quê? Por quem?! - olhar de desaprovação. - Sabes como é... a familia... os brother ... as pessoas falam, julgam... Olhar de estranhamento: - É mesmo? E tu? O que fazes? - Sei lá... acho que me fecho. Reprimo, assusto, tenho medo. - Medo é bom, evita a tragedia. - Então você concorda? Olhar assustado: - Eu? Com o quê? - Em se sentir assim... - Com medo? Sim. - Não é medo. É... sentir-se reprimido. - Mas quem te reprime? - Já disse, os outros, o que pensam, o que dizem, como julgam.,, - Esses outros não tomam atitude?! E ainda permites que te julguem? Quem tem atitude pode ter medo, retroceder, reagir conforme os acontecimentos. Outra atitude, movida pelo medo. É o movimento da vida. No mais... - Tá insinuando o quê? Olhar pro lado, braço levantado: - Garçom, mais uma. (Karina Klinke, primavera 2011)