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Meu olhar



"Meu olhar, largo olhar de eterna claridade!” escreveu Charles Baudelaire.

O que vê esse olhar?
Silenciosos e amendoados olhos,
Tímidos e às vezes debochados sorrisos,
Bochechas que coram,
Longos braços de suaves e intensos movimentos,
Mãos dedilhantes,
Pernas torneadas, marcadas pelas peraltices de outros tempos,
Pés largos.
Meu olhar gosta de vislumbrar tua silhueta
Cada movimento, em um abrir e fechar de pálpebras, como um suspiro!
Gestos teus que poucas vezes decifro, mas insisto,
Busco no pulsar dos movimentos um sinal de tua estima,
Algo que me diga o quanto e como me vês,
Tudo em vão.
Meu olhar não é teu intérprete,
É sonhador, iludido, apaixonado.
Ah, tempo perdido... diriam os experientes,
Mas eu não me importo.
Divirto meus olhos nos teus,
Sossego-os ao som de tua voz,
Afogo-os em teus abraços, quando posso.


(Karina Klinke, verão 2011)



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