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Mostrando postagens de junho, 2011

Anotações Insensatas

(Caio Fernando Abreu, Google fotos) Mas não se pode agir assim, a amiga avisou no telefone. Uma pessoa não é um doce que você enjoa, empurra o prato, não quero mais. Tentaria, então, com toda a delicadeza possível, sem decidir propriamente decidiu no meio da tarde — uma tarde morna demais, preguiçosa demais para conter esse verbo veemente: decidir. Como ia dizendo, no meio da tarde lenta demais, escolheu que — se viesse alguma sofreguidão na garganta, e veio — diria qualquer coisa como olha, tenho medo do normal, baby. Só que, como de hábito, na cabeça (como que separada do mundo, movida por interiores taquicardias, adrenalinas, metabolismos) se passava uma coisa, e naquele ponto em que isso cruzava com o de fora, esse lugar onde habitamos outros, começava a região do incompreensível: Lá, onde qualquer delicadeza premeditada poderia soar estúpida como um seco: não. E soou, em plena mesa posta. Tanto pasmo, depois. Sozinho no apartamento, domingo à noite. Todas as coisas quietas ...

Parafraseando

No litoral do Brasil [em itálico, partes do original de Caio Fernando de Abreu,  No coração do Brasil ,  OESP - Caderno 2 - 1 abril 1987 ] Lá, onde a  tarde é noite. E o Sul  pode ficar bem ao lado do Pontal. Certa feita, em uma cidade litorânea até então desconhecida, convidaram-me para um tour. Na correria do trabalho, sem outra possibilidade de conhecer as belezas vislumbradas além das vidraças,  no telefone não ouvi sequer o nome  do local a ser visitado.  Quis dizer não, mas porque a vida é mágica e eu tinha esquecido, sem saber por que disse sim. Não guardei o nome do rapaz que telefonava, e voltou a telefonar. Quem, de onde?   Você vem? Sim, eu vou . Dias antes, preparando-me para outro trabalho, escrevia sobre o conhecimento de si, algo que Foucault me ensinara em seus livros. A intenção era analisar esse processo, experimentado por uma mulher pública, em meio às muitas viagens q...