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Mostrando postagens de 2015

Mensagem de final de ano

Foto: Abril.com                                                     Acabam-se os dias no calendário cristão, só isso. O mais é imaginação de um sistema capitalista que se aproveita da ingenuidade alheia para explorar seu sentimentalismo. Haveria menos solidão, suicídios, brigas e mortes por acidentes se não houvessem as "confraternizações" anuais. Nesses dias, a sensação mais realista que se pode ter é o contato com as misérias humanas: exclusão das pessoas menos endinheiradas, fora dos padrões estéticos, menos sociáveis, menos falsas, menos saudáveis, menos qualquer coisa supervalorizada na sociedade hipócrita em que vivemos. Se o que vale nesse período é compartilhar, compartilho a ideia de mudar de foco e conceber as realidades ocultadas pelos festejos. Talvez isso sim nos faça mais humanos! (By Karina Klinke, dezembro/2015)

Humanidade

Foto: Karina Klinke "A humanidade é, mesmo, uma desgraça!" Assim deve pensar o "coisa ruim" [personificação de tudo o que há de mais cruel nos seres humanos] Quando é obrigado a reconhecer Que apesar da maldade que espalha Há, ainda, pessoas que, parafraseando o poeta: "Levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima". Essa personificação, Do mal de seres viventes, Fica indignada: "Eu digo não, essa galera diz que sim... E pior, faz acontecer. Onde já se viu comportamento assim? Tem gente que não quer ser melhor que outra gente, Recebe humilhação e não esmoece, Falta dinheiro e angaria fundos. Que porra é essa? Já sei...vou dizer que eles têm problemas, Que estão do lado errado, Vou arrumar uma arapuca pra eles caírem! O quê? Levantaram? Não é possível!?" Essa tal humanidade dá trabalho!!! (Karina Klinke, primavera/2015)

Ironia

Foto: Karina Klinke Afastamo-nos. Não foi intencional, A vida nos levou pra longe Ou pra perto de outras pessoas. Saber que sentimos falta, Uns dos outros, É confortante, Mas não nos reaproxima. Faz-nos, ao contrário, Entender que momentos passam E deixam rastros Que não se apagam. Sabemos que não somos os mesmos E o que somos hoje não nos aproxima. Um misto de amor e dor, Como quase tudo na vida. Lembrar do que fomos juntos É o que nos resta. O melhor de nós, Ontem e hoje. Talvez afeto, infinito, Porque perdura. Nem nosso reencontro Fará de nós o que fomos. Talvez só a certeza de termos sido alguém Quem não sabemos mais ser. (Karina Klinke, primavera/2015)

Depois do Dia dos Pais

Foto: Karina Klinke Muito me indigna o que o machismo, o patriarcalismo e o capitalismo construíram sobre a imagem do Pai, a começar pela definição implacável dos opostos: masculino e feminino. A partir dessa dualidade, constituem-se modelos sociais nos quais ao Pai cabe ser: Viril : audacioso, bravo, enérgico, determinado. Logo, se não demonstrar essas características, é considerado medroso, covarde, fraco, pasmado, estático, derrotado, frágil, frouxo, preguiçoso, indiferente, apático, inseguro, confuso, efeminado, amaricado. Para manter a aparência viril, desde a infância lhe são reforçadas características que nem sempre dizem respeito à suas tendências. Isto não é responsabilidade exclusiva dos homens, as mães e outras mulheres fazem questão de impor a macheza a quem nasce do sexo masculino. Roupas, brinquedos, tarefas e atitudes são definidas na dualidade: homem não pode... homem deve... Sob tais determinações, cresce acreditando nestes estereótipos e, na idade adu...

Continum

(Quadro: Pablo Picaaso) Entrou em meu ser, lenta e continuamente, Inteiro. Não peço licença, Porque gosto. Mesmo que infrinja meus preceitos, Navego. Vontade de dizer: “vai”, Mas quero que fique. Fica, porque esse lugar Só você ocupa. Não é menor, é imenso, Mesmo que não saiba o quanto. Hora quieto, hora em movimento, Permanece.   (Karina Klinke, verão/2015)

Abissal

Foto: José Henrique Moraes Das inúmeras oportunidades que a vida me proporciona, acredito aproveitar poucas, mesmo essas são tantas e me conduzem a um abissal sentimento de gratidão. Encontro em cada uma algo para saborear a delícia que é sonhar, chorar, sorrir e gozar. Momentos que convivem comigo diariamente e por serem tantas, e meramente poucas as que prevalecem, sinto-me feliz por viver na simplicidade de um jovem sonhador em busca de idealizações. Já existi em muitas pessoas, muitos abraços, muitos beijos, muitos corpos e sexos, mas conhecer você foi um disparo no coração, o passado morreu e deu curso uma nova pessoa, sem traumas, disposta a lutar pela felicidade própria e conjunta. Confesso, sem você não seria eu mesmo.   (José Henrique Moraes, verão/2015)

(Sub) Limiar

Foto: Karina Klinke Sonhei esta noite E nesse sonho você me socorria em mim Seu olhar e seus gestos diziam Em silêncio Para eu me cuidar Que eu não padecesse em vão Uma emoção comovente me invadiu Seus olhos me enxergavam  Nos meus                                Suas mãos não tocavam minha pele Você acariciava meus sentimentos Seu sorriso sorria meu choro Sua voz era música que me embalava Em uma dança no vento Dizia para eu me ocupar só de mim O cuidado que me dispensa se fez Chorei Seja eu ou seja você A delicadeza sublimou o mal estar Como se nunca mais fosse possível sofrer Na certeza de que minha existência basta Para me libertar Em mim de mim   (Por Karina Klinke - verão 2015)

Da Leitora

Pablo Picasso - Woman reading (Marie Therese Walter), 1960 (Para Sofia, a primeira leitora que compus em parceria.) Livros há muitos, leituras também... Poemas há tantos, autoras também... Mas há livros, leituras, poemas e autoras inesquecíveis! Prefiro os livros intensos, daqueles que se lê compulsivamente. Poemas, gosto dos críticos, cínicos, à moda oswaldiana. Já os autores e autoras, admiro as que se escondem na obra. Quanto às leitoras, essas são especiais: Há as que usam todo o seu tempo perdidas em livros e também as esporádicas As que só leem em silêncio, para si mesmas E as que lêem em voz alta, As que copiam trechos e os distribuem, As que re-escrevem partes e re-criam sentidos, As que imitam suas autoras prediletas, fazendo-se nova autora E proporcionando novas leituras. Há as tímidas, que fazem melodias inspiradas em suas leituras... Essas encantam com a suavidade da discrição, ou da covardia, Leitoras não assumidas, dos livros, das p...