Foto: Sofia Klinke Ela disse que voltaria. Deixou suas roupas, seu sapato e a seda que carregava, então conclui: ela volta. Passaram-se algumas semanas, eu não as conto porque tenho medo de saber quantos dias exatamente já se passaram, se eu soubesse isso, enlouqueceria. Teve uma vez - mais ou menos na metade do tempo em que ela se foi e o que eu estou agora - que eu achei que ela havia voltado. Tive certeza. Destrancou a porta, deixou a chave em cima da mesa e foi embora. Só poderia ser ela. Tento me lembrar sempre que acordo se não fui eu quem deixou a chave na mesa, geralmente, refaço todos os movimentos de todos os dias - desde que ela foi embora - g iro a chave uma vez para entrar em casa, sinto o cheiro do gato como se houvessem milhares deles, o cheiro do cigarro e do café que ainda não desceu pela pia que está entupida. Olho a mesa de plástico com a chave em cima, a toalha de mesa com várias cores – a coloquei logo na frente da porta porque parecia vibrante ...
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