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| Foto: Luiza Klinke |
A chuva me proporciona a introspecção e com ela, reflexão. Mistura de
frescor, renovação e delírio, por isso minha mente não suporta longos períodos chuvosos,
causam-me cansaço mental.
As últimas horas dessa demência chuvosa me fez pensar sobre os relacionamentos que
presenciei em crise nos últimos dias. Para mim, qualquer comentário que se faça
sobre o outro parece banal, visto que os sentimentos são individuais e únicos. Não
há padrões que possam represar o que as pessoas sentem, logo, esses são
apenas os meus.
Por puro egoísmo e necessidade de escoamento da água para além de meus olhos,
lanço na escrita o que a mente está cheia, em forma de desague:
O que torna os relacionamentos difíceis, parece-me, é a falta de entendimento
de si. A velha máxima platônica da necessidade do conhecimento de si para
entendimento do outro. Do bom relacionamento consigo para se aventurar no
relacionamento com o outro. Nada de novo, só o que cada gota de chuva carrega e
rega meus sentimentos, marejados das leituras de Michel Foucault.
O final do ano que se passou foi submerso, sob meu olhar, por enxurradas no que tange às crises de relacionamento: o conhecimento de si – que fez algumas
pessoas identificarem que sua relação com o outro não é saudável para si – e o
oposto – o medo de assumir o contato honesto consigo e a culpabilização do
outro como desculpa para se manter em sua zona de conforto. O obvio do ser: não
quero enxergar minha realidade, então jogo no outro a culpa pela crise. Essa é,
em minha opinião, a maneira mais fácil de apaziguar o medo de si.
Nada de novo, de novo, apenas mais uma constatação de que o conhecimento
de si, segundo Platão, não se alcança sem a maturidade (das experiências e não
cronológica). Claro que experiências se adquirem com as vivências (o que
pressupõe tempo), mas há pessoas (e eu as admiro) que as vivenciam com tamanho
reconhecimento de seu papel que, em tenra idade, conseguem apreender
muito sobre si e, com isso, intensificam o processo de amadurecimento. Essas
são aquelas pessoas que não se culpam, nem culpam o outro, mas entendem que há
desacordos. Sofrem com eles, como é saudável sofrer com as rupturas, e com eles
aprendem sobre si e sobre o outro.
Acredito sim no encontro dos seres, na proporção do que é possível. Não com a dependência de um ser que valha outro ser.
A aventura do conhecimento de si me parece, nessa correnteza, o maior
desafio humano, mas também a única coisa que vale a pena embarcar nessa travessia. Daí os versos do Poeta se tornarem um
clássico: “que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito
enquanto dure”. E que durar não custe sacrifício, apenas o prazer de (con)viver!
(Karina Klinke, verão/2016 - créditos da foto: Luiza Klinke)

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