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Mostrando postagens de maio, 2012

Samba Canção

Foto: Juliana Freitas Tantos poemas que perdi, Tantos que ouvi, de graça pelo telefone - taí, eu fiz tudo pra você gostar, fui mulher vulgar, meia-bruxa, meia-fera, risinho modernista arranhado na garganta, malandra, bicha, bem viada, vândala, talvez maquiavélica, e um dia emburrei-me, vali-me de mesuras (era uma estratégia), fiz comércio, avara, embora um pouco burra, porque inteligente me punha logo rubra, ou ao contrário, cara pálida que desconhece o próprio cor-de-rosa, e tantas fiz, talvez querendo a glória, a outra cena à luz de  spots , talvez apenas teu carinho,  mas tantas, tantas fiz...  (Ana Cristina Cesar, A teus pés, Companhia das Letras)

O dito pelo não dito

Queria dizer muitas coisas... Mas meu pudor não deixa, O medo me retrai, A coragem é pouca, As ilusões me impedem. Deixo-me ouvir E confundo os dizeres em meus desejos. Procuro me mostrar sem palavras, Assim nunca sei como entendem... Também não saberia se dissesse, Porque cada qual ouve como pensa, Sente o quanto permite, Vê o que quer. Sigo imaginando como seria se soubessem E prossigo em silêncio Que tudo sente, tudo sonha, Tudo permite e sufoca... (Karina Klinke, outono 2012)

Partida

Sua ida me deixa saudades Mas sei que é egoísmo meu Porque este é o seu caminho Sua trajetória Seu percurso Como o meu: vim graças a você, Cresci e tive muitas conquistas porque sempre pude contar contigo Sou quem sou porque tinha você ao meu lado, Agora sou egoísta e quero que você fique... Por outro lado, crio coragem e digo: Vai meu amor, segue teu caminho E leve contigo a certeza de que minha existência é conquista tua, Antes mesmo de ser minha. Deixe que a luz acompanhe tua viagem Sei que tu também não vais me esquecer Nem me abandonar Estaremos eternamente juntos Porque os laços de amor são indestrutíveis. Segue em paz e leva minha gratidão contigo. (Karina Klinke, 34 anos depois de sua partida)