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Mostrando postagens de 2010

Poema de Natal

Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente. (Vinicius de Moraes,  Poemas, sonetos e baladas,  1946)

Escritores mineiros em prosa e verso

Créditos: depositphotos.com / AleksTaurus Profª Drª Maria Generosa Ferreira Souto Unimontes RESUMO: Este artigo tem a intenção de apresentar o que hoje pesquiso: autores mineiros, cuja produção em prosa e verso encontra-se fora do cânone, porém trazem contribuições importantes para a cultura local e global. Pretende valorizar a obra de escritores norte-mineiros, muito oportuna num momento em que se discute o cânone, e ousa mostrar o que chamam, teimosamente, de a literatura da exclusão, a literatura periférica, a literatura confessional, a literatura enjaulada, também dita marginal ou das bordas. Este texto faz parte do corpus da pesquisa Escritores das Bordas Literárias, em andamento, realizada na Universidade Estadual de Montes Claros. PALAVRAS-CHAVES: Literatura brasileira – cânone – Escritores mineiros. O intuito deste trabalho é o de apresentar à Academia 50 nomes de escritores mineiros, cujas produções em prosa e verso encontram-se adormecida...

Leia o Livro Universo em Desencanto

Leia um livro Universo em desencanto Leia um livro Universo em desencanto Leia e vai saber o que é encanto Leia e vai salvar o desencanto Leia o livro Universo em desencanto Leia um livro Universo em desencanto Leia e vai saber o que e encanto Leia e vai salvar o desencanto Leia o livro Universo em desencanto Leia um livro Leia e vai saber o que é encanto Leia e vai salvar o desencanto (Tim Maia)

Saudade (do que não se viveu)

Mulher Saudade - Kim Molinero Ah, se soubéssemos mensurar... talvez fosse mais fácil entender medindo porções menores e maiores dos sentimentos. Ausências não se medem, não são explicáveis, inevitáveis, sem dúvida, um nada. Não se julga o nada,  tão pouco se pode viver sem ele é um vazio que se auto-preenche que se sustenta na invisibilidade. Não é zero, é mais, é um todo repleto de sombras um preenchimento cruel mas desejável. Faz te sentir repleta, enredada, banhada de um frio que às vezes aquece... Alegria de sentir prazer que entristece sonho nebuloso desejo insaciável.   (Karina Klinke, inverno de 2010.)

Palavra da salvação

No princípio era o verbo, e o verbo se fez carne. Promessas viraram feridas, ainda abertas luta-se por cicatrizá-las. Não tem lugar, só o que resta de quem tem de fato. A sobra, improdutiva e seca, pantanosa, é o que resta. Mas ainda se peleja com o verbo,  para que se faça justiça e a carne não  sofra tanto,  para que nosso verbo tenha sentido,  seja ouvido e se faça matéria: terra produtiva, teto e chão, educação,  saúde, a dignidade perdida. Graças a Deus. (Karina Klinke, inverno de 2010) 

Marcha

  Aluno do Ensino Médio de Uberlândia As ordens da madrugada romperam por sobre os montes: nosso caminho se alarga sem campos verdes nem fontes. Apenas o sol redondo e alguma esmola de vento quebram as formas do sono com a idéia do movimento. Vamos a passo e de longe; entre nós dois anda o mundo, com alguns vivos pela forma, com alguns mortos pelo fluído. As aves trazem mentiras de países sem sofrimento. Por mais que alargue as pupilas, mais minha dúvida aumento. Também não pretendo nada senão ir andando à toa, como um número que se arma e em seguida se esboroa, - e cair no mesmo poço de inércia e de esquecimento, onde o fim do tempo soma pedras, águas, pensamento. Gosto da minha palavra pelo sabor que lhe deste: mesmo quando é linda, amarga como qualquer fruto agreste. Mesmo assim amarga, é tudo que tenho, entre o sol e o vento: meu vestido, minha música, meu sonho e meu alimento. Quando penso no teu rost...

Loucos e Santos

Foto: Marcos Petrália Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.  Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.  A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.   Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.  Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças  e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.  Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas  lutam para que a fantasia não desapareça. Não...

Um Carinho

Lá vem vindo. Vem de longe, traz consigo: um ramo de flores, olhos que brilham, uma boa caminhada (pela frente). As flores, me prometeu plantar todas uma a uma, em corações-canteiros. Os olhos, diz que tomou emprestado de um novo-velho companheiro para iluminar a estrada. A caminhada, será ombro a ombro com aqueles com quem firmou o pacto de ser sempre camarada. ...Até que o sonho chegue e seja tudo... de um "novo-velho Companheiro" (By Camila Rodrigues, maio/2010)

Digressões sobre a poesia, as representações e a palavra

Ai, palavras, ai, palavras, Que estranha potência a vossa! Ai, palavras, ai, palavras, Sois de vento, ides no vento, No vento que não retorna, E, em tão rápida existência, Tudo se forma e transforma! (Cecília Meireles. “Romance LIII ou Das palavras aéreas”. In: Romanceiro da Inconfidência) Quem me conhece bem, certamente, estranhará que eu inicie um  post,  tomando como epígrafe, versos de Cecília Meireles. É nítida a minha estranheza com essa poetisa... Estranheza cujo motivo não é tão nítido assim... Talvez estranhe porque me sinta flagrada em mim mesma e nem sempre isso é confortável. Deixando esse prelúdio, que mais cabe ao meu divã semanal do que ao espaço de um blog (o leitor não tem nada – ou tem tudo! – a ver com a minha neurose), a questão é: RENOVA-SE MEU ENCANTAMENTO PELA POESIA... Renova-se ao perceber que a poesia-arte, poesia-sublimação antevê questões com as quais tempos depois, a cátedra “bate cabeça”. Nesse caso, falo das re...