Ai, palavras, ai, palavras,
Que
estranha potência a vossa!
Ai,
palavras, ai, palavras,
Sois
de vento, ides no vento,
No
vento que não retorna,
E,
em tão rápida existência,
Tudo
se forma e transforma!
(Cecília
Meireles. “Romance LIII ou Das palavras aéreas”. In: Romanceiro da Inconfidência)
Quem
me conhece bem, certamente, estranhará que eu inicie um post, tomando
como epígrafe, versos de Cecília Meireles. É nítida a minha estranheza com essa
poetisa... Estranheza cujo motivo não é tão nítido assim... Talvez estranhe
porque me sinta flagrada em mim mesma e nem sempre isso é confortável.
Deixando
esse prelúdio, que mais cabe ao meu divã semanal do que ao espaço de um blog (o
leitor não tem nada – ou tem tudo! – a ver com a minha neurose), a questão é:
RENOVA-SE
MEU ENCANTAMENTO PELA POESIA...
Renova-se
ao perceber que a poesia-arte, poesia-sublimação antevê questões com as quais
tempos depois, a cátedra “bate cabeça”.
Nesse
caso, falo das representações que alguém pode ter de si, da forma como essas
representações se constroem e de como as mesmas se materializam, se dão a
ver...
(Quem
sou eu para lhe falar assim? Quem é ele para que eu lhe fale assim? Quem é ele
para me fale assim... Ê, velho Osakabe.!)
A
poesia responde: a matéria-prima é a palavra... Palavra-discurso, de estranha
potência, que se forma e transforma...
Safada,
a palavra... Estranhamente potente... Escorregadia, opaca...
Como
a mesma palavra – matéria-prima - constrói e (re)(des)constrói, cerceia e
liberta, tudo-junto-e-misturado-agora-e-já?
Sei
lá!
Leitor,
refaço minha fala:
Minha
neurose já não é mais minha...
Sinta-se
convocado...
A
palavra é NOSSA!
(Mical Mercelino, maio/2010)

Comentários
Postar um comentário