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Mostrando postagens de janeiro, 2014

Constatação literária

Recentemente reorganizei minha estante de livros que, desde o último estudo, há cinco anos, andava praticamente abandonada para interesses particulares. Hoje consegui, dadas as novas circunstâncias, consultar meus velhos livros, que antes se perdiam em desorganização e poeira. Abro o primeiro, Ok; o segundo, Ok também; o terceiro, Ok. Mas no quarto livro faço uma viagem no tempo...  Encontro riscos que não reconheço como meus e, finalmente, anotações, escritas que me remetem à observação: alguém mais visitou este livro e de alguma forma, mais ou menos próxima, esta pessoa fez parte de minha vida.  Dada a liberdade de tê-lo rabiscado, concluo que se sentia íntimo o bastante. Isto eu não sabia antes. Agora que reconheço a letra (obviamente porque houve intimidade para tanto), constato: foi recíproco.  Ah, os livros, fonte ilimitada de saber!  (Karina Klinke, verão 2014)

Lira dos Quarenta

Vocês foram chegando assim, devagarinho, meio tímidos, mas chegaram. Tomaram conta de mim, do meu corpo, do meu ser, até me dominarem por completo. Deixaram-me mais bonito, mais atrativo, mais homem. Bem marotos, derramaram neve em meus cabelos, marcaram com um garfo o contorno dos meus olhos e ainda não entendi o porquê, afundaram minhas órbitas oculares. Será por isso que não vejo mais nada bem? E que confusão é essa que aprontaram? De perto preciso tirar os óculos e de longe, somente vejo com eles. O problema é que nem tudo é somente perto ou longe. As coisas ora estão perto, ora longe. Das dúvidas que restam nesta idade a que mais me intriga e não ter certeza se o amor realmente existe. Eu gostaria muito que existisse amor eterno, que fosse possível passar a vida sempre só com uma pessoa, um amor. Não me sinto confortável em dizer que o amor não existe, assim como não tenho plena convicção de que ele exista. Fico entre a dúvida e a esperança que ele se revele para mim. Não s...

A falta

   (Vincent Van Gogh - "A noite estrelada" - 1889)                            Diante das saudades que não cediam Fui te procurar em meus sonhos E para surpresa minha, onde estavas? Em lugar nenhum. Percebi então que não és mais um devaneio, Um sujeito platônico. Estás em meu cotidiano, Em lugares concretos, Num envolvimento constante de dramas e sorrisos. És uma pessoa que participa de minha vida Não mais uma fantasia, Agora um humano. Tuas lágrimas e alegrias me contagiam Enternecem-me, aliviam-me, assustam-me. Então penso: este é tu mesmo ou continuo sendo eu, Que te vejo, desejo e oculto nos recantos de minha ilusão? Sabe-se lá o que os sentimentos provocam, Não há controle, Não quero controle, Prefiro o devaneio. Legítimo ou arrebatamento, Existes assim para mim. Às vezes desejo saber como sou pra ti, Iss...