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Doute suce


(Pour mes amis, qui d'identifier)

Apagar da memória,
Fazer de conta que nada existe,
Que são volúpias da imaginação.
Afinal,
Ilusões são passageiras,
Sonhos não se concretizam,
Move-se à força do hábito de ser feliz,
E se buscam prazeres nunca satisfeitos...
Tudo em vão.
Apesar dos pesares,
Continua-se enxergando as marcas,
Ouvindo vozes,
Sentindo suores,
Trocando conversas,
Pensando, sonhando, desejando, 
Esperando o próximo telefonema,
A outra mensagem,
Novos encontros.
Noites e noites de sonhos e pesadelos,
Dias que não passam,
Tudo só tem um sentido:
O perto-longe, o longe ao lado,
Horas que são marcadas por relógios alheios
E seu relógio emocional quer o tempo todo.
Invadem o corpo, os pensamentos, 
Reproduzem-se os gestos.
Desajeitado medo da repetição do nada,
Das perdas, dos vazios, das desilusões.
Incógnitas que nunca serão decifradas,
Só a experiência explica
E o coração acalenta.
Merde.
Por que não ficamos quietinhos em nosso canto,
acostumados com o mesmismo?
Por que alçamos vôos pelo desconhecido
quando é tão mais fácil ficar oculto?
Arriscamos nossas vidas e nosso comodismo
com novidades nunca suspeitadas.
Entramos num frenesi esfuziante 
e deixamos de lado o vazio confortável.
Quanto isso nos custa?
Custam-nos sorrisos, palavras, carinhos, 
Vontade de ir além do próprio eu,
Encontrar o outro, vê-lo, senti-lo.
Ah, se soubéssemos disso tudo,
Teríamos corrido os riscos? 

(Karina Klinke, outono de 2012)

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