(À minha mãe, Marina)
Ser mãe é o trem mais bom do mundo!
É a oportunidade de se esquecer de si para se dedicar ao outro.
Primeiro, você tem em seus braços uma pessoa minúscula,
Indefesa e impotente.
Não se alimenta, não bebe e não se defende por si.
Então você larga de lado o seu ego
E foca naquela pessoa.
E ela vai crescendo
Torna-se, pouco a pouco, autônoma.
Aliás, antes disso, nega a necessidade de você.
Nesse processo, sua saúde se esvai, seu dinheiro escassa,
O ser nem percebe o quanto te mobiliza.
Não importa, faz parte,
Você fez assim com sua mãe e ela com a dela.
O que importa é que você se sente,
Talvez pela primeira vez na vida,
Um ser indispensável.
Enche-se de orgulho com cada conquista
Desta pessoa que ajudou a ser.
Você erra, quase sempre,
Em tentar mostrar o que é o melhor pra ela.
Porque é outra geração,
O mundo mudou,
Ela não é você,
Não está no “seu lugar”.
Então, o melhor, é deixar fluir...
Você, jovem, queria alguém te dizendo
Como viver a vida?
Então não faça isso,
Será um fracasso total,
Pois ela merece ser livre,
Como você sonhou para si.
Benditas as mães que podem viver a maternidade,
Sem o peso da miséria material,
Emocional e social!
Às que vivem qualquer tipo de precariedade,
Nosso respeito.
(Karina Klinke, outono/2024)
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