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(Des)Encontros [2]



Ela queria dizer que sente muito por te fazer acreditar que está brincando com teus sentimentos. É que se vê perdida às vezes por aquilo que sente e, se não diz, demonstra com provocações equivocadas. Talvez, pensa agora, estão apenas se machucando. Se os tempos fossem outros, se não houvessem tantos conceitos sobre as próprias escolhas, tanto medo de ser feliz, não seria assim. Finge que não é compreendida, mas é. Agora compreende também, mas não demonstra nada além de seus medos. Estavas sempre em dúvida, esquivando-te. Por que te esquivas? Pensava... Por não achá-la suficiente pra ti? Por causa das diferenças? Insegurança. Enquanto essa predomina, não se resolve o impasse. Mas permanece, confunde, afasta. Questão é não conseguir lidar com a exposição dos sentimentos que a fragilizam. Até porque ambas querem controlar as cenas e os próximos capítulos. Ninguém os conhece, mas insistem em protagonizá-los. Não querem se magoar, de fato. Falta-lhe coragem para a exposição dos verdadeiros afetos, pois acha que assim vai se perder de si. Pensa que não merece tua credibilidade. O que pensas? Entre o quando e o como vai se esquivando, observando, desejando, remoendo, ferindo. Em antagonismo existe o afeto, o carinho, o querer bem e querer estar perto, proteger, cuidar, mas se resguardar acaba sendo a única saída. É só o que consegue criar? Um mundo paralelo, estagnado, doentio? Por que não permitirem que o companheirismo, a amizade e o respeito lhes tome o ser para juntas buscarem o que almejam conquistar? Afinal, é nisso que ela acredita. Por que vacilar quando há tanto a compartilhar? Então uma voz interior implora: "diga, faça e demonstre o que realmente sente. Não se prenda às dores do passado. Enxergue apenas quem ela é. Viva o presente e desfrute suas delícias!" Ah... a coragem é para os fortes. E já magoou demais para se sentir merecedora de teu afeto. O que ela quer? O que tu queres?

(Por Karina Klinke, inverno/2017)

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