Foto: Karina Klinke
Aviso que
desisti!
Porque
anunciar faz parte do processo de libertação.
Desisti de
me fazer de vítima
Esperando o
que não existe,
De me
debruçar sobre o intransponível,
De transpor
obstáculos que eu mesma criei,
De sair do
lugar que desejo ficar,
De passar
roupas,
De fazer
cara boa quando quero chorar,
De permanecer com quem magoa,
De agradar
pessoas que não me entendem,
De acreditar
na derrota,
De ouvir que
sou muita areia pro seu caminhãozinho,
De me
esforçar pra dormir de lado,
De tentar
salvar o que já morreu,
De ganhar
dinheiro para guardar,
De semear
onde ninguém quer regar,
De ouvir
cantada,
De sair com
gente sem graça,
De sentir
compaixão por quem não se valoriza,
De parar o
que gostaria de continuar,
De pessoas
indecisas,
De esperar
notícias de gente nem aí,
De tomar
sorvete sem me lambuzar,
De varrer a
casa em dia de ventania,
De cultivar
afeto incorrespondido,
De dizer sim
quando queria dizer não
E
vice-versa,
De fazer de
conta que não doeu,
De olhar nos
olhos de quem não me enxerga,
De esperar
mensagens de pessoas queridas,
De escrever
o que nem eu mesma leria...
Por isso
desisti de continuar esses versos
Sem rima.
Chega.

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