Pular para o conteúdo principal

Desistência

                                                                                                   Foto: Karina Klinke

Aviso que desisti!
Porque anunciar faz parte do processo de libertação.
Desisti de me fazer de vítima
Esperando o que não existe,
De me debruçar sobre o intransponível,
De transpor obstáculos que eu mesma criei,
De sair do lugar que desejo ficar,
De passar roupas,
De fazer cara boa quando quero chorar,
De permanecer com quem magoa,
De agradar pessoas que não me entendem,
De acreditar na derrota,
De ouvir que sou muita areia pro seu caminhãozinho,
De me esforçar pra dormir de lado,
De tentar salvar o que já morreu,
De ganhar dinheiro para guardar,
De semear onde ninguém quer regar,
De ouvir cantada,
De sair com gente sem graça,
De sentir compaixão por quem não se valoriza,
De parar o que gostaria de continuar,
De pessoas indecisas,
De esperar notícias de gente nem aí,
De tomar sorvete sem me lambuzar,
De varrer a casa em dia de ventania,
De cultivar afeto incorrespondido,
De dizer sim quando queria dizer não
E vice-versa,
De fazer de conta que não doeu,
De olhar nos olhos de quem não me enxerga,
De esperar mensagens de pessoas queridas,
De escrever o que nem eu mesma leria...
Por isso desisti de continuar esses versos
Sem rima.
Chega.

(Karina Klinke, outono/2016)

Comentários